quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Campanha da Fraternidade 2007


CNBB
A Amazônia será tema da Campanha da Fraternidade de 2007 com o lema: “vida e missão neste chão”.

Em 2002, a CNBB constituiu a Comissão Episcopal para a Amazônia com o objetivo de ajudar toda a Igreja no Brasil a voltar os olhos para a Amazônia e a tomar consciência dos grandes desafios da evangelização naquela região. A escolha do tema “Fraternidade e Amazônia” é expressão da mesma preocupação pastoral do episcopado; a Campanha da Fraternidade de 2007 poderá ser uma ocasião privilegiada para que também todo o Brasil tome consciência mais aprofundada sobre a complexa problemática da Amazônia e se volte para lá com políticas e iniciativas eficazes.

Ao falar em Amazônia, vem imediatamente à memória a preocupante questão ambiental: grandes rios e florestas imensas, devastação do verde e ameaça à riquíssima biodiversidade. Acompanhamos com apreensão a ocupação, muitas vezes predatória, das terras amazônicas, sem que seu complexo e delicado eco-sistema seja respeitado. O egoísmo e a ganância na exploração das riquezas, o descuido e a imprudência ameaçam seriamente esse patrimônio natural, que não é somente dos brasileiros; a devastação da Amazônia configura-se como uma perda e uma ameaça para toda a humanidade.

Amazônia também faz pensar em questões sociais e antropológicas: indígenas perturbados e agredidos em suas culturas; esvaziamento do território, já tão pouco povoado, crescimento caótico dos centros urbanos; ocupação de vastas áreas com projetos agropecuários, conflitos pela ocupação e posse das terras. O impacto da urbanização, da economia e da cultura globalizadas sobre as populações locais gera migrações, desenraizamento social, cultural e religioso; no coração da Amazônia, e não apenas na área de Manaus, apresentam-se os problemas sociais típicos de áreas metropolitanas e industriais do centro-sul do País: falta de infra-estrutura e de serviços públicos nas novas áreas de povoamento e nas explosivas realidades urbanas, desemprego, violência e degradação dos costumes.

A Amazônia, além disso, representa para a Igreja um conjunto de desafios novos postos à sua ação evangelizadora. As migrações levaram para a Amazônia centenas de milhares de pessoas de todas as partes do Brasil; sugiram novas áreas de povoamento, que necessitam de assistência religiosa às populações e de estruturas de vida eclesial. As dioceses e prelazias daquela região, no passado, eram geralmente socorridas por missionários estrangeiros, que as serviam com recursos humanos e materiais vindos de fora do País; hoje essas forças ficaram drasticamente reduzidas e as Igrejas da Amazônia ainda não estão em condições de enfrentar sozinhas a sua imensa tarefa evangelizadora.

Como atender adequadamente as comunidades católicas esparsas pelo vasto território? A ação intensa de grupos religiosos não-católicos está questionando seriamente a capacidade e a agilidade de nossa Igreja católica em atender devidamente às necessidades religiosas dos seus próprios fiéis. Chegou a hora de uma grande ação solidária de toda a Igreja no Brasil para a evangelização da região amazônica. O apoio e o revigoramento daquela Igreja local tornou-se urgente e requer a ajuda de voluntários e missionários das outras regiões do País, além de recursos econômicos e logísticos.

“Vida e missão nesse chão”. A Igreja católica esteve presente no meio dos povos amazônicos desde o início da evangelização do Brasil e quer agora aprofundar sua presença e ação no meio deles. O lema aponta para os objetivos e a dupla preocupação da Campanha da Fraternidade de 2007. De um lado, fraternidade efetiva e corresponsabilidade na defesa e promoção da vida, que se manifesta de maneiras tão exuberantes e de tantos modos na Amazônia; por outro lado, fraternidade em relação à Igreja local, com todas as suas organizações e expressões, para que ela esteja em condições de assumir sua missão de anunciar o Evangelho da vida e da esperança aos povos amazônicos.

A CF de 2007 poderá ser um grande momento para trazer a Amazônia para dentro do coração da Igreja no Brasil e de todos os brasileiros; será ocasião também para suscitar iniciativas e ações eficazes de valorização e defesa daquela vasta e ameaçada região brasileira. Antes que seja tarde demais.

Hora para tudo?

Dom Aloísio Roque Oppermann, scj
Arcebispo de Uberaba, MG

A vida humana não se reveste de um cunho retilíneo. A monotonia da reta é aperfeiçoada pelas sinuosidades, pelos altos e pelas depressões. A variação, além de nos aportar prazer, nos introduz em nova fase da vida. “Varietas delectat” (a variedade nos deleita), já diziam os romanos. Realmente, a existência humana se concretiza num rosário de acontecimentos alegres e tristes, de luto e de festa, de penumbra e de luz. Por meio desses momentos diferentes somos levados a uma nova vida. Eis porque o trabalho é intercalado pela festa, o luto é superado pela alegria, e a falta de perspectiva é postergada pela esperança. “Existe um tempo para cada coisa” (Ecl 3, 17). Nada para admirar se a liturgia da Igreja soleniza a presença do Salvador pelo seu Natal, pela festa de Pentecostes, pela solenidade da Páscoa...Agora ainda somos introduzidos no tempo da quaresma (conversão para o evangelho), cujo pórtico é o carnaval, entendido por muitos como tempo de folguedo e de suspensão das preocupações cotidianas.

Se existe uma gama de variações sucessivas, não podemos desconhecer que a nossa psicologia exige alguns valores referenciais permanentes. É o pano de fundo da vida, diante do qual se desenrolam as movimentações constantes das novas motivações, que se alternam. Você deve ter três constantes, que não admitem substituições. A primeira delas é o esforço contínuo pela sua realização pessoal. É o projeto de vida, que o leva a ter satisfação no seu existir, e sentir-se útil. A segunda constante é o espaço que você reserva ao amor pelo seu semelhante. Esse amor não pode faltar, sob pena de atolar a sua vida na insignificância. A terceira constante, não menos importante, é você abrir um generoso espaço no seu coração para o único Ser Necessário do universo: nosso Pai Criador, o Ser amoroso por excelência. Sem essa tendência irreprimível para o absoluto, você não consegue entender para onde estamos caminhando.

Se há “um tempo para tudo”, no entanto para alguns estados de alma não pode haver espaço jamais, porque são estados ilegítimos e que levam para uma situação de morte: é o ódio contra o semelhante, o esbanjamento, e a falta de compostura moral. Nem no carnaval podemos abrir a guarda e admitir esses contravalores. Eles nos introduzem na letargia da morte.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

A Igreja em Renovação

Dom Sinésio Bohn
Bispo de Santa Cruz do Sul

Quando vi pela primeira vez a Basílica de São Pedro em Roma, olhei bem a grandiosa cúpula construída sobre o túmulo do Apóstolo Pedro. Devo ter visto as imagens dos doze Apóstolos, como a presidir as Igrejas do mundo. À direita da praça, lembro-me bem, ficava a janela do Papa, então Pio XII.
Hoje, 52 anos depois, contemplei de novo a grande e bela Basílica. Mas desta vez fixei meu olhar nos doze Apóstolos, as colunas da Igreja, o novo Povo de Deus, cujo fundamento é Cristo. A janela do Papa continua a mesma. O Papa, porém, é Bento XVI.
Agradeci a Deus a fé apostólica que os pais de meus pais me legaram. Mistério da graça de Deus!
Participei de duas audiências de Bento XVI e o convidei pessoalmente, em nome da cidade e da Diocese, a visitar Santa Cruz do Sul. Ele disse: “Eu gostaria muito, mas não posso visitar muitos lugares. Agradeço o convite deste povo”.
Quanto à semana de encontro com mais de 100 bispos do mundo inteiro, especialmente da África, da Ásia e do Oriente Médio, convenci-me de novo do primado da Palavra de Deus na Igreja e na vida pessoal. De preferência examinar com outros os sinais dos tempos, à luz da Escritura. Alguém disse: “Quem consome os olhos na Escritura, se torna como Jesus”.
É convicção do grupo que “pastoral sem oração” é semear na rocha. Não deita raízes profundas. Aliás, a oração culmina na liturgia.
Ao império do mercado, o Evangelho contrapõe o amor. Um bispo, que esteve em coma, ouviu Jesus dizer: “Ama e perdoa”. Belo programa de vida!
Li a história de Padre Aldo Mei, da Diocese de Lucca, Itália. Ele hospedou judeus e membros da resistência italiana na última grande guerra. Foi preso, ferido e fuzilado. Escreveu como testamento: “Morro arrastado pela tenebrosa tempestade de ódio, eu que nunca quis viver senão por amor”. Foi morto aos 33 anos de idade.
Quem segue o Evangelho, ama os pobres. Deus ama os pobres, não por serem melhores ou piores do que os outros, mas por serem pobres.
O Papa nos incentivou a orar pela paz e a promovê-la. Estamos numa cultura de guerra, mas só a paz resolve os problemas dos povos. É preciso contrapor aos conflitos o diálogo respeitoso e paciente. E a oração, como João Paulo II mostrou em Assis. A oração e o diálogo são a força dos fracos.
Houve um período na Igreja em que se investiu muito na renovação das estruturas. Hoje se vai além: é preciso comunhão de corações, amizade e apoio mútuo. Comunhão que se espraia para outras Igrejas nas relações ecumênicas e para outras religiões no diálogo inter-religioso. Mesmo difícil como é em vários países com os islâmicos.
Da comunhão, nos disse o Papa, brota um renovado compromisso de anunciar e testemunhar o Evangelho da Esperança.

Vaticano, 14/02/07.



quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Dia de Descanso



Todos os padres têm a 2a. feira como dia de descanso. Muitos o assumem como uma religião, não largam por nada. Outros, por nada se utilizam deles. Há ainda os que se empolgam tanto com o seu dia de folga que o entende pela 3a., 4a., féria... em diante. Claro, só deve haver quem faça isso, nem conheço pessoalmente quem o faça... hehhehe


Dia 12, 2a. feira, tive a alegre intuição de ir a Gruta de Itapuca em Anta Gorda, pedir a N. Sra. de Loudes a graça que não mereço mas que desejo ardentemente para ser melhor padre, melhor cristão, melhor colega e gente.


Chamei o amigo Fabrício, seminarista indo já pra Teologia e fomos. Um tanto de estrada de terra enfestou o carro de pó e nosso espírito de entusiasmo. Pude ver o Mons. Giocondo, tão desejado ver na Gruta como a própria Nossa Senhora de Lourdes e Sta. Bernadette! Homem de fé, padre querido, fez uma homilia muito linda, encheu o meu coração do que eu tinha fome. Também senti prazer por ver outros padres alí, por fé, partilhando aquele momento com o povo e do povo, em plena 2a. feira de descanso e féria: Pe. Reinaldo, Pe. Pedrão, Pe. Darci.


Depois da missa, que concelebrei, e das preces de romeiro, o momento mais que oportuno das fotos e de conhecer a gruta, tão linda, tão funda e tão misteriosa.


O parque, uma beleza, as famílias alí, reunidas e unidas pela fé e pelo pão, digo melhor, pelo churrasco. Depois do almoço, só integração, partilha de vida e, certamento, de dores que fazem parte dela.


Na família de Joacil, seminarista, fomos acolhidos. Uma simpática gente de origemm italiana, cuja bondade não cabe dentro de si e a externa com extrema beleza e simpatia. A nona é o grande centro de todos em casa. Esta fala com o riso, largo, natural e lindo! Nenhuma palavra! Todos os sentidos no seu riso se unem.


Que dia lindo aquele de descanso em Itapuca!