sexta-feira, 13 de junho de 2008

O exemplo de João Paulo II

Nossos seminaristas maiores, estudantes de filosofia e teologia, pediram uma tarde de espiritualidade, a partir do exemplo de João Paulo II. Deve ser por influência do livro de Estanislau Dziwisz, ex-secretário do Papa: “Uma Vida com Karol”. Pensei comigo mesmo: se o exemplo de Karol Wojtyla é bom para os seminaristas, por quê não seria para os demais cristãos? Eis, pois, alguns traços da sua espiritualidade:
1. Um homem da Bíblia: Segundo o ex-secretário, “durante toda a vida, até os últimos momentos (o Papa) leu todos os dias a Sagrada Escritura. Era dali que jorrava incessantemente aquela grande ânsia de difundir a mensagem de Cristo no mundo. E, ao mesmo tempo, de reforçar a fé”.
2. Um homem de oração: Era “apaixonado por Deus”. Ficava muito tempo em oração pessoal; celebrava diariamente a Missa; rezava o terço; fazia visitas ao Santíssimo Sacramento na capela particular; confessava-se cada semana. Vem à memória a frase de Santa Teresa: “A oração não é uma questão de tempo. É uma questão de amor”.
Certa ocasião os bispos gaúchos almoçamos com João Paulo II. Falamos sobre a queda do muro de Berlim e da conquista da liberdade no leste Europeu. O Papa atribuiu as mudanças profundas à oração. Em Fátima, a Virgem Maria prometeu que Jesus iria converter a Rússia, se o povo rezasse. O povo orou e a Rússia mudou.
3. Um homem de diálogo: O Papa polonês visitou quase todos os povos. Sempre reservou um tempo para o encontro com os líderes religiosos. Também com os judeus e os islâmicos, onde tinham presença.
O ponto culminante foi o encontro de Assis: Quando eclodiu a guerra do Iraque, que João Paulo II tentou impedir, ele convidou os líderes das grandes religiões do mundo para um encontro de oração em Assis. Cada qual orou à sua maneira, mas todos rezaram pela paz. De lá veio a proclamação: “Matar em nome de Deus, é blasfêmia contra Deus”. É o “Espírito de Assis. A via religiosa para a paz”.
4. Um homem de cultura: Cada ano João Paulo II convidava os cientistas e os filósofos para um encontro em Castel Gandolfo (perto de Roma). Além de se atualizar, estava convencido que o encontro entre fé e cultura era uma alternativa para um mundo afastado da ética, marcado pelo materialismo e pelas injustiças.
5. Um homem da reconciliação: Quem não se lembra dos freqüentes pedidos de perdão de João Paulo II pelos erros do passado? Era preciso “purificar a memória”. Segundo ele, deve-se perdoar, sem esperar nada em troca. Como ele fez com Ali Agca, autor dos tiros certeiros contra o Pontífice na Praça São Pedro. Sem perdão, não há reconciliação, não há paz.
Você e eu podemos ler a Escritura; cultivar o espírito de oração; dialogar com os diferentes; ler e estudar e nos atualizar; aprender a perdoar e a pedir perdão, pela reconciliação e a paz na família e no mundo.


Dom Sinésio Bohn
Bispo de Santa Cruz do Sul